China compra soja dos EUA, mas Brasil ainda é mais competitivo
Recentemente, a China voltou a adquirir soja dos Estados Unidos, aumentando as compras após um período de pausa. Esse movimento é parte de um acordo comercial firmado entre os dois países há cerca de um mês. Apesar de o cenário internacional, as estatísticas mostram que a soja brasileira continua a ser mais barata e competitiva no mercado global.
Os dados do Departamento de Agricultura dos EUA indicam que a China comprou até o momento 2,6 milhões de toneladas de soja. No entanto, analistas acreditam que o volume real é superior, estimando que já sejam mais de 4 milhões de toneladas. Eles observam que, na semana passada, exportadores norte-americanos informaram a venda de 312 mil toneladas para a China para o ano comercial 2025/26. Em adição, agências internacionais divulgaram que os chineses fecharam a compra de 10 navios de soja dos EUA, valendo cerca de US$ 300 milhões.
Esse acordo entre China e EUA prevê a compra de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana até o final de janeiro. No entanto, a competitividade da soja brasileira permanece. Segundo dados da AgRural, a soja brasileira está cerca de US$ 40 por tonelada mais barata em comparação à soja da costa noroeste dos EUA, levando em conta os custos de transporte até a China. A analista Daniele Siqueira apontou que as compras da China nos EUA têm um caráter principalmente político, servindo para mostrar que o país está cumprindo o acordo, mas que os volumes adquiridos ainda estão longe do compromisso estabelecido.
Daniele também comentou que, no curto prazo, não há motivo para se preocupar com a perda de espaço do Brasil no mercado chinês. No entanto, será preciso acompanhar a evolução das compras chinesas ao longo de dezembro para entender melhor o impacto do acordo nas exportações brasileiras em 2026.
Na última semana, a Administração-Geral de Aduanas da China suspendeu a importação de soja de cinco unidades brasileiras devido à presença de resíduos de pesticidas e grãos de trigo contaminados. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que foi notificado sobre o bloqueio e que está analisando a situação com prioridade. O Mapa também destacou que o bloqueio envolve apenas cinco das mais de 2.000 unidades autorizadas a exportar para a China e que a relação entre os países continua sólida e estratégica. Este ano, espera-se que mais de 100 milhões de toneladas de soja sejam embarcadas para a China, que é o maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro.
Consultores indicaram que o impacto desse bloqueio é limitado, pois afeta apenas as unidades notificadas, e as demais continuam exportando normalmente. Contudo, é essencial monitorar a situação, especialmente levando em consideração que a China voltou a comprar soja dos EUA. Isso pode sugerir uma estratégia de recompra mais econômica, algo que já aconteceu anteriormente no mercado.
Diante desse panorama, o setor agrícola continua a observar os desenvolvimentos para entender como as decisões políticas e comerciais entre Estados Unidos e China impactarão as exportações brasileiras nos próximos meses.