25/01/2026
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Japão religou e desligou maior usina nuclear do mundo

Japão Suspende Operações na Maior Usina Nuclear do Mundo

O Japão paralisou as operações na usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, apenas algumas horas após sua reativação. A Tokyo Electric Power Company (Tepco) informou que um alarme foi acionado durante os procedimentos de inicialização do reator, embora o porta-voz da empresa, Takashi Kobayashi, garantisse que a situação do reator estava “estável”.

O reator número seis havia sido religado na quarta-feira, dia 21 de janeiro, um dia depois do previsto devido a um problema técnico com o alarme. Este foi o primeiro reator a ser reativado na usina desde o desastre de Fukushima, que ocorreu em 2011. Na sequência do terremoto de 9,0 graus que abalou o Japão, todos os 54 reatores nucleares do país foram desligados.

Desde o desastre, que é considerado um dos piores da história nuclear, a confiança do público em relação à energia nuclear diminuiu consideravelmente. O Japão ainda tem um longo caminho até a normalização do uso da energia nuclear; o reator sete de Kashiwazaki-Kariwa só deve retornar ao funcionamento em 2030, e outros cinco reatores podem ser desativados, reduzindo a capacidade da usina de 8,2 Gigawatts.

Passado Marcado por Desastres

O colapso da usina de Fukushima Daiichi, localizado a 220 km ao norte de Tóquio, resultou em vazamentos radioativos e na evacuação de comunidades locais. Muitas pessoas não retornaram, apesar das garantias oficiais de segurança. Após o desastre, foi realizado um relatório que apontou que Tepco foi responsável pelo ocorrido, mas posteriormente, três executivos da empresa foram absolvidos por negligência.

A opinião pública se voltou contra a energia nuclear. Pesquisas indicam que muitos japoneses desejam uma redução da utilização dessa fonte, embora nas pesquisas mais recentes a aceitação da energia nuclear tenha aumentado, desde que existam garantias de segurança.

Retorno da Energia Nuclear no Japão

Nos últimos anos, o Japão tem buscado religar suas usinas com a meta de alcançar emissões zero até 2050. Desde 2015, 15 dos 33 reatores foram reativados, sendo que Kashiwazaki-Kariwa é a primeira usina da Tepco a reiniciar operações. Antes de Fukushima, cerca de 30% da eletricidade do Japão era gerada por energia nuclear, e o governo planejava aumentar essa porcentagem para 50% até 2030. No entanto, o plano energético mais recente prevê que a energia nuclear represente apenas 20% do consumo até 2040.

Entretanto, o custo das operações está aumentando devido a novas normas de segurança, o que levanta preocupações sobre se o governo pode repassar esses custos aos consumidores ou subsidiar as empresas.

Críticas e Desconfiança

A desconfiança em relação à segurança das usinas nucleares é uma constante. Escândalos envolvendo a Tepco, como a perda de documentos importantes e manipulações de dados de segurança, abalaram ainda mais a confiança do público. A Autoridade de Regulamentação Nuclear (ARN) tem supervisionado a situação e implementado normas de segurança mais rigorosas.

Enquanto isso, o governo japonês deve encontrar um equilíbrio entre a necessidade de energia e as preocupações de segurança da população. Muitos moradores da área em torno de Kashiwazaki-Kariwa continuam a protestar, expressando seu medo de um novo desastre.

Desafios Futuros

Hoje, a população está ciente dos riscos, especialmente após a liberação de água radioativa tratada da usina de Fukushima, que gerou novas preocupações tanto no Japão quanto no exterior. Com um aumento no número de eventos climáticos extremos e mudanças nas normas de segurança, especialistas alertam que o Japão pode não estar totalmente preparado para futuros desastres.

A situação da energia nuclear no Japão continua a evoluir, refletindo a complexidade de equilibrar a demanda por energia, os objetivos de sustentabilidade e a segurança pública em um país que ainda vive sob a sombra do desastre de Fukushima.