Um total de 330 jornalistas estavam presos em todo o mundo em dezembro de 2025, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Esta cifra marca o quinto ano consecutivo em que a organização registra mais de 300 jornalistas encarcerados em função de seu trabalho.
A China é o país com o maior número de jornalistas detidos, somando 50, seguida por Mianmar, com 30, e Israel, onde 29 repórteres palestinos foram detidos. O relatório revela que a Rússia mantém 27 jornalistas na prisão, sendo cinco deles ucranianos. Belarus e Azerbaijão também figuram na lista, com 25 e 24 detidos, respectivamente.
Os dados de 2025 são alguns dos mais altos já catalogados pela CPJ desde que a organização iniciou suas contagens em 1992. O auge foi em 2024, quando 384 jornalistas estavam presos. Desde 2012, menos de 200 jornalistas não haviam sido encarcerados.
O CPJ destaca que esses números refletem um aumento do autoritarismo e a intensificação de conflitos em várias regiões do planeta. Quase metade dos jornalistas prisioneiros não tinha sido condenada por qualquer crime, enquanto muitos que enfrentaram sentença cumprem penas superiores a cinco anos. O relatório aponta que 61% destes jornalistas foram presos sob acusações consideradas “anti-Estado”, que incluem terrorismo e recebimento de dinheiro de governos estrangeiros. A cobertura política é a área mais arriscada para jornalistas, superando temas como direitos humanos e corrupção.
O relatório também mostra que mais de um terço dos 330 jornalistas detidos têm penas superiores a cinco anos. Quase metade nunca passou por uma condenação formal e, desse grupo, 26% estão presos há mais de cinco anos sem um julgamento, o que é considerado uma violação do direito internacional que exige julgamentos justos e sem atrasos desnecessários.
Em relação à distribuição geográfica, a Ásia é a região com o maior número de detenções, com 110 jornalistas presos. A Europa e a Ásia Central somam 96, o Oriente Médio e o Norte da África têm 76, a África conta com 42 detidos e as Américas, apenas 6. A CPJ ressalta que o número baixo nas Américas não reflete a realidade, pois há uma tendência crescente de perseguição política contra jornalistas que investigam corrupção.
No cenário americano, a Venezuela apresentava, em 1º de dezembro, três jornalistas detidos, mas relatos afirmam que pelo menos dois foram libertados após a detenção do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Na Guatemala, por outro lado, José Rubén Zamora, ganhador do Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa em 1995, continua preso arbitrariamente.
Nos Estados Unidos, o jornalista salvadorenho Mario Guevara foi preso em junho após cobrir um protesto contra o ex-presidente Donald Trump, mas foi deportado por questões migratórias antes da contagem do CPJ.
Além disso, quase um terço dos jornalistas detidos relataram ter sofrido maus-tratos, com 20% mencionando casos de tortura ou espancamento. O Irã lidera as estatísticas de tortura, seguido por Israel e Egito.
O CPJ esclarece que seus dados abrangem profissionais encarcerados por governos ou agentes estatais e incluem diversas situações, como prisão domiciliar e alistamento forçado. No entanto, não são contabilizados jornalistas sequestrados ou desaparecidos por atores não estatais, como gangues criminosas ou grupos militantes.
