A repressão aos protestos no Irã e as pressões dos Estados Unidos sobre Teerã estão revelando os limites da relação entre a China e o Irã. Apesar de ser o principal parceiro comercial do Irã e o maior comprador de seu petróleo, a China tem adotado uma postura cautelosa em relação à crise atual, evitando apoiar diretamente o regime iraniano.
Esse relacionamento entre os dois países é considerado essencialmente pragmático. A parceria se baseia no interesse mútuo de conter a influência dos Estados Unidos, além da troca de petróleo por produtos manufaturados. Contudo, não há uma aliança profunda ou compromissos políticos de longo prazo que sustentem essa relação.
Recentemente, o governo iraniano intensificou a repressão a protestos, os quais foram classificados como sem precedentes por organizações de direitos humanos. Em resposta, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas tarifas e ameaçou adotar medidas ainda mais severas contra países que mantêm laços comerciais com Teerã. A reação da China frente a essas tarifas foi limitada a críticas, sem condenar a violência nem oferecer apoio explícito ao regime iraniano.
Embora a dependência energética entre os dois países ainda seja um fator relevante, esse elemento perdeu um pouco de força. A China diversificou suas fontes de petróleo e ampliou seus estoques estratégicos, diminuindo a importância de uma eventual interrupção nas importações iranianas. Por outro lado, a relação com a China continua sendo vital para o Irã, especialmente para sustentar sua economia enfrentando sanções internacionais. Essa dinâmica cria uma clara assimetria na parceria.
Dentro do Irã, autoridades têm pedido ajuda pública à China, mas esses pedidos têm sido criticados nas redes sociais da China. Muitos internautas questionam por que Beijing deveria arcar com custos políticos ou econômicos em apoio a Teerã.
Esse cenário evidencia uma percepção comum entre analistas: a relação entre China e Irã, embora tenha pontos em comum como adversários compartilhados, é vista de maneiras diferentes por cada país. Para a China, essa relação é mais um instrumento estratégico, enquanto para o Irã, se torna, cada vez mais, uma tábua de salvação incerta.
