17/01/2026
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Acordo com a Europa acelera indústria de Pernambuco

O mercado internacional se prepara para um momento marcante neste sábado (17), no Paraguai, com a assinatura formal do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Este tratado, que foi aprovado pelo Conselho Europeu em janeiro, tem o potencial de transformar o cenário comercial em Pernambuco. A união dessas duas economias representa um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de cerca de US$ 22,4 trilhões.

Um dos principais pontos do acordo é a redução de impostos, que pode chegar a 91% para produtos europeus. Essa medida gera preocupações entre os produtores locais, especialmente aqueles que atuam no Complexo de Suape e no Vale do São Francisco, quanto à sua capacidade de competir com indústrias que operam com custos significativamente mais baixos no exterior.

As empresas de Pernambuco estão se preparando para essas mudanças. A Europa irá permitir a entrada de 95% das mercadorias sul-americanas, enquanto o Mercosul receberá máquinas, produtos químicos e automóveis da Europa, com um período de implementação de até 15 anos. No estado, o faturamento com exportações para a Europa em 2025 chegou a US$ 144 milhões, conforme dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Embora haja otimismo em relação ao aumento nas vendas de frutas e combustíveis, indústrias de transformação, como a de vinhos, expressam receios sobre a forte concorrência.

A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) tem alertado sobre os desafios que a indústria local enfrentará, não apenas devido ao acordo, mas também por questões internas. O gerente de Política Industrial da Fiepe, Maurício Laranjeira, enfatiza que o estado não pode se tornar apenas um importador de produtos europeus. Segundo ele, a alta carga tributária e os custos elevados de produção são obstáculos significativos que os empresários enfrentam.

Adicionalmente, a indústria de vinhos, especialmente na região de Petrolina, poderá enfrentar dificuldades. O fim dos impostos de importação permitirá que vinhos europeus, que são subsidiados em seus países, cheguem ao mercado brasileiro a preços mais competitivos. Para Laranjeira, é fundamental que o governo implemente linhas de crédito com juros mais baixos e reduza a carga tributária sobre o vinho nacional, que atualmente é bastante elevada.

Além das questões de custo, a competitividade das indústrias também dependerá da logística e da modernização tecnológica. O estado precisa melhorar sua infraestrutura, como estradas e portos, para garantir uma competição justa com os produtos europeus. A Fiepe e o Senai já estão prontos para capacitar os produtores locais, mas enfatizam a necessidade de uma redução significativa dos impostos para que as indústrias possam se manter competitivas.

Do ponto de vista comercial, a Federação do Comércio de Pernambuco acredita que o acordo poderá facilitar a inserção das empresas pernambucanas no mercado global, especialmente no agronegócio. Contudo, o economista Antonio da Luz faz um alerta sobre as novas exigências ambientais que poderiam atuar como barreiras disfarçadas. Por exemplo, regras da França proíbem a entrada de produtos que contenham resíduos de defensivos não utilizados na zona do euro, o que poderia representar um desafio adicional para os exportadores.

O Porto de Suape emerge como um importante atrativo para novos investimentos, como fábricas de autopeças e iniciativas em energia limpa. No entanto, a mensagem da indústria é clara: o período de 15 anos para a implementação total do acordo não deve ser desperdiçado. Laranjeira destaca que, para que Pernambuco se beneficie do tratado, um planejamento adequado é essencial. A abertura comercial deve ser acompanhada de medidas que incentivem a produção local e reduzam os custos, para que o estado não se torne apenas um importador de produtos sofisticados, mas também um exportador competitivo.