16/01/2026
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Trump ameaça Groenlândia em disputa geopolítica no Ártico

Em meio a uma crescente tensão internacional, países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram enviar tropas para a Groenlândia, um território da Dinamarca, nesta quarta-feira (14). A decisão ocorreu após representantes da Groenlândia e da Dinamarca se reunirem com autoridades dos Estados Unidos em Washington, um encontro que não resultou em acordo sobre o futuro da região.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem manifestado o desejo de garantir o controle sobre a Groenlândia, afirmando que usará todos os meios necessários para isso. Em resposta, a Rússia criticou duramente a postura dos EUA, considerando-a agressiva.

Na sexta-feira (16), Trump ameaçou impor tarifas comerciais a países que se opuserem ao interesse dos EUA sobre a Groenlândia, afirmando que a presença da ilha é vital para a segurança nacional. Ele declarou em um evento na Casa Branca: “Posso fazer isso”. Ao mesmo tempo, Trump questionou a capacidade da Dinamarca de proteger a Groenlândia, mencionando o risco de ocupação pela Rússia ou China.

Essa situação se desenrola no contexto de uma disputa geopolítica no Ártico, onde a Rússia mantém uma presença militar significativa. O governo russo já se manifestou contra o envio de tropas da Otan, considerando inaceitáveis as alegações de atividades russas e chinesas na região como justificativa para a atuação militar dos EUA.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, comentou que a inclusão da Groenlândia nos interesses dos Estados Unidos é arbitrária, apontando que a narrativa de uma ameaça russa é uma estratégia usada por países ocidentais, incluídos a Dinamarca e seus aliados europeus.

A Rússia, que detém cerca de metade da costa ártica e uma grande frota de quebra-gelos, tem intensificado sua presença na região nos últimos anos, com o objetivo de garantir acesso a rotas marítimas e recursos naturais.

Vladimir Shapovalov, cientista político da Universidade Estatal Pedagógica de Moscou, afirmou que as alegações de que a Rússia ou a China representam uma ameaça à Groenlândia são infundadas, uma vez que não há presença militar russa próxima à ilha. Ele sugere que a verdadeira motivação dos EUA é ampliar seu controle sobre o hemisfério ocidental.

A discussão em torno da Groenlândia é vista como parte de um reposicionamento estratégico no Ártico, onde os EUA buscam aumentar sua influência militar em resposta ao domínio russo. Para Washington, garantir controle sobre a Groenlândia é fundamental para balancear a presença russa na região.

Shapovalov ainda destacou que a Rússia enfrenta um dilema de segurança no Ártico, uma vez que todos os seus vizinhos na região, como EUA, Canadá, Noruega e Dinamarca, pertencem à Otan. Essa relação cria um cenário tenso, aumentando a percepção russa de ameaças externas.

No geral, as ações dos Estados Unidos são interpretadas pela Rússia não apenas como intervenções pontuais, mas como parte de um movimento mais amplo que questiona a ordem internacional estabelecida pelo Ocidente. A disputa em torno da Groenlândia ressalta a fragilidade das alianças e as tensões que permeiam as relações internacionais.