16/01/2026
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China e Rússia afastam apoio ao regime do Irã

Tensões Geopolíticas: O Papel do Irã, China e Rússia

O Irã se destaca como um aliado importante para China e Rússia, que competem diretamente com os Estados Unidos por influência global. No entanto, essa relação tem suas limitações, especialmente no que diz respeito a uma possível resposta militar em caso de um novo ataque americano.

A China, principal compradora de petróleo do Irã, tem adotado uma postura cautelosa diante dos recentes protestos no país, que resultaram em inúmeras mortes. O governo chinês se limitou a solicitar, através de canais diplomáticos, que os EUA não intervenham nos assuntos internos do Irã. Essa abordagem discreta contrasta com o acordo de parceria estratégica assinado entre os dois países em 2021, que estabelece cooperação em diversas áreas, incluindo economia, tecnologia, energia e segurança.

Por outro lado, a Rússia, sob a liderança de Vladimir Putin, tem usado um tom mais alarmista, advertindo que um ataque americano no Oriente Médio poderia ter consequências devastadoras, não apenas para o Irã, mas para o mundo inteiro. No entanto, a disposição russa em agir diretamente em defesa do Irã é questionável. Especialistas afirmam que, se ocorrer um conflito entre os EUA e o Irã, tanto a China quanto a Rússia provavelmente priorizarão suas relações com Washington em detrimento de um apoio militar ao Irã, devido a suas próprias prioridades nacionais.

A situação da Rússia é complexa, pois o país se concentra em sua guerra na Ucrânia, uma crise que exige significativos investimentos em defesa e recursos. Isso limita a capacidade russa de apoiar aliados como o Irã e a Venezuela. A relação entre Moscou e Teerã se estreitou após a invasão da Ucrânia em 2022, quando o Irã começou a fornecer drones para a Rússia. Apesar disso, analistas indicam que a Rússia tem opções limitadas para ajudar o Irã, pois a crise ucraniana é considerada uma prioridade muito maior.

A aliança entre China e Irã é fundamental para a presença chinesa no Oriente Médio, região onde a China busca aumentar sua influência. O país já demonstrou seu interesse na área ao mediar a reabertura das relações entre o Irã e a Arábia Saudita em 2023 e ao sediar negociações entre facções palestinas em 2024, levando a um acordo de unidade entre diferentes grupos.

Especialistas afirmam que a China provavelmente manterá uma postura calma e observadora, evitando qualquer envolvimento em conflitos. A principal preocupação de Pequim com possíveis tensões é o risco de um conflito no Irã levar a uma crise de refugiados e desestabilizar uma região com interesses econômicos significativos para a China. A estabilidade no Oriente Médio é crucial para a implementação da Nova Rota da Seda, um ambicioso projeto destinado a ampliar os interesses energéticos chineses.

Além disso, um Irã enfraquecido pode ser vantajoso para a China, que conseguiria garantir petróleo a preços mais baixos e fortalecer sua posição geopolítica sem um aliado tão robusto. Essa dinâmica revela como, mesmo diante da aliança, as prioridades de cada país podem divergir em momentos críticos.