terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Notícias de última hora

A Europa pode reencontrar seu poder de negociação com a China?

editorial@mundodasnoticias.net
[email protected] EM 13 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 09:24

A China e a União Europeia (UE) começaram 2026 enfrentando um novo conflito comercial. Um dos principais pontos de tensão é o mecanismo de ajuste de emissões de carbono nas fronteiras da UE, que está em sua fase final. Bruxelas anunciou que aumentará o cumprimento das regras, enquanto Pequim já avisou que pode retaliar.

Nesta semana, houve avanços nas negociações sobre a disputa em torno dos veículos elétricos. A UE divulgou orientações que permitem oferecer preços mínimos aos exportadores chineses desse tipo de produto, buscando encontrar um meio-termo para reduzir a tensão.

No entanto, a situação é complexa. Apesar de algumas áreas estarem progredindo em conversas técnicas, a relação entre os dois blocos continua tensa, caracterizada por uma interdependência que gera constantes conflitos sobre regras comerciais, subsídios e desigualdades no mercado.

Nos últimos anos, as tensões entre a China e a UE aumentaram, especialmente em 2024, quando o comércio bilateral foi muito elevado. Como resposta a investigações sobre alguns de seus produtos, Pequim tomou medidas que incluíram tarifas temporárias sobre carnes e laticínios da UE, algumas chegando a 42,7%.

Além disso, há um entrave político que afeta as negociações. O Acordo Global de Investimento, que poderia facilitar a colaboração econômica, está paralisado.

Desde o final da década de 2010, a China não conseguiu assumir um papel significativo na defesa do comércio livre, o que a UE havia esperado. Três grandes conflitos dificultaram a diplomacia entre os dois lados. O primeiro foi um choque de valores, onde as sanções da UE prevaleceram sobre motivos econômicos. O segundo se referiu a um desentendimento sobre políticas industriais. A Europa tem criticado a capacidade produtiva da China como distorções no mercado, enquanto Pequim vê as investigações da UE como formas de protecionismo motivadas politicamente.

Essas questões refletem a complexidade das relações comerciais e políticas entre duas das maiores economias do mundo, que, por um lado, precisam um do outro, mas, por outro, enfrentam constantes desafios e desavenças.

Receba conteúdos e promoções