segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
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O papel da Venezuela no narcotráfico em comparação com México e Colômbia

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[email protected] EM 12 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 08:23

A Dinâmica do Narcotráfico na América Latina: Foco na Venezuela, Colômbia e México

A questão do narcotráfico na América Latina é complexa e tem ganhado destaque, especialmente com o recente enfoque dos Estados Unidos na Venezuela. Após a captura do presidente Nicolás Maduro, o ex-presidente Donald Trump alertou que a Colômbia e o México poderiam ser os próximos alvos de suas ações contra o tráfico de drogas.

Em relação ao México, Trump mencionou que “era preciso fazer algo” para lidar com a situação. Já sobre a Colômbia, ele fez advertências ao presidente Gustavo Petro, insinuando que a produção de cocaína no país poderia ser um problema de segurança para os Estados Unidos.

Desde agosto do ano passado, os Estados Unidos têm intensificado suas operações militares na região do Caribe e nas proximidades da Venezuela. Washington acusa o país de ser um centro de operações para uma “organização narcoterrorista”, supostamente ligada às Forças Armadas venezuelanas e liderada por Maduro. Até agora, as operações resultaram no afundamento de embarcações supostamente envolvidas no tráfico, com um saldo de aproximadamente 110 mortos.

Enquanto isso, analistas ressaltam que a Venezuela tem se tornado um ponto estratégico no tráfico de cocaína. Embora não seja um grande produtor da planta, o país abriga vários laboratórios de cocaína. A maioria da cocaína consumida nos Estados Unidos e em outras partes do mundo origina-se na Colômbia, onde seu cultivo é amplamente disseminado.

Daniel Rico, economista da Universidade Nacional, destaca que a Venezuela é mais um ponto de trânsito do que um produtor. Francisco Daza, da Fundação Pares, afirma que a Venezuela serve para ampliar as rotas de saída da droga da Colômbia, integrando o Caribe venezuelano ao tráfico.

Os carregamentos de cocaína têm como principais destinos os mercados europeu e norte-americano. O narcotráfico na região envolve diversos grupos armados, incluindo o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as dissidências das FARC, que controlam rotas estratégicas de tráfico na fronteira.

A Colômbia se destaca como o principal produtor de cocaína do mundo, atingindo a marca de 2.600 toneladas em 2023, um aumento de 53% em um único ano. Quase a metade dessa produção vem de apenas três regiões no país: Catatumbo, Putumayo e Cauca. A cocaína é frequentemente transportada para países vizinhos antes de seguir para o mercado americano, utilizando rotas que passam pelo Pacífico e pelo Caribe.

O México, por sua vez, é conhecido por sua rede sofisticada de tráfico de drogas. Com mais de 3.000 quilômetros de fronteira com os Estados Unidos, os cartéis mexicanos são extremamente ativos na distribuição de drogas, incluindo o fentanil, uma substância sintética que se tornou uma grande preocupação devido ao aumento de overdoses nos EUA.

Analistas também apontam que a produção de fentanil ocorre principalmente no México e é controlada por cartéis que se tornaram influentes na exportação de suas táticas operacionais para outros países.

Trump, ao concentrar esforços na Venezuela, levanta questões sobre suas intenções políticas. Alguns acreditam que seu verdadeiro objetivo seria forçar uma mudança de regime em Caracas, aproveitando o narcotráfico como um pretexto para intervenções mais amplas.

Em resposta a ameaças, como as dirigidas a Petro e a Sheinbaum, a situação permanece tensa na região, culminando em incertezas sobre os próximos passos dos EUA. Com isso, a América Latina observa atentamente os desdobramentos de uma guerra contra as drogas que parece ter implicações muito mais profundas do que aparenta.

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