O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retirar o país de 31 agências relacionadas às Nações Unidas e a outros organismos internacionais. Essa decisão gerou especulações sobre um possível fortalecimento da China e da Rússia no controle da ONU. No entanto, especialistas ressaltam que essa interpretação é imprecisa e não reflete o funcionamento real da organização.
A ONU é composta por 193 Estados-membros e opera com base na cooperação multilateral, o que significa que nenhum país pode dominá-la sozinho. As decisões dentro da ONU são feitas por meio de votações na Assembleia Geral e negociações no Conselho de Segurança, onde estão os Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido, que possuem assento permanente e poder de veto.
Embora a saída dos Estados Unidos possa diminuir sua influência em várias agências, a estrutura central da ONU permanece inalterada. A sede da organização em Nova York continua a funcionar normalmente, assim como os principais órgãos que tomam decisões. A ausência dos EUA em alguns fóruns não concede automaticamente mais poder a outros países.
especialistas em relações internacionais afirmam que, com a redução da participação dos Estados Unidos, há uma realocação da influência política e diplomática. Na área de questões como clima, desenvolvimento e direitos humanos, países como a China, que já investe em diplomacia multilateral, podem assumir um papel mais proeminente. A Rússia, por sua vez, mantêm uma influência significativa, especialmente em assuntos de segurança internacional, com atuação no Conselho de Segurança.
Entretanto, essa mudança não indica uma “tomada” da ONU. A organização ainda opera com base em consensos e alianças que variam entre os países, mesmo as potências globais precisam negociar para conseguir apoio em suas pautas, principalmente na Assembleia Geral.
Diplomatas apontam que o impacto mais significativo da decisão dos Estados Unidos é simbólico e estratégico. Com a diminuição de sua participação no sistema multilateral, os EUA se afastam de um papel de liderança em debates globais que ajudaram a moldar o mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Esse espaço vazio pode ser gradualmente preenchido por outras nações, mas isso não significa que alguém terá controle total.
O cenário atual mostra uma tendência de multipolaridade, onde diferentes países exercem influência em diferentes áreas, ao invés de haver uma única potência dominante. A ONU continua sendo um espaço de disputa diplomática, sem o comando de um único país.