Dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostram que, entre 2014 e 2026, mais da metade das notificações de incidentes em saúde em Mato Grosso do Sul está ligada a serviços de diálise. Foram 3.670 reclamações, de um total de 6.241 registros em clínicas, laboratórios, maternidades, farmácias e serviços de radiologia.
O aumento recente é o ponto que mais chama a atenção. Em 2023, foram 358 ocorrências. No ano passado, o número saltou para 1.686, um aumento de 370,9% – o equivalente a 4,7 vezes mais. Em 2026, os registros já somam 456, superando os números de três anos atrás. Entre o ano passado e este ano, as clínicas de hemodiálise representam quase 80% de todas as notificações.
Uma clínica de Campo Grande, a DaVita, localizada na Rua Treze de Maio, no bairro São Francisco, passou a ser investigada pela Vigilância Sanitária Estadual. Pacientes relataram más condições de atendimento e disseram ter passado mal após a filtragem do sangue. Em junho do ano passado, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu uma apuração sigilosa contra outro estabelecimento.
Segundo o painel de indicadores da Anvisa, a maioria dos pacientes afetados tem entre 46 e 75 anos. A gravidade do dano é considerada leve na maior parte dos casos. Os erros mais comuns são falhas na hemodiálise e eventos adversos após o serviço. Os problemas incluem desde questões com equipamentos, como limpeza e uso da água, até queda de pressão e outras alterações clínicas nos pacientes.
Nos relatos, também aparecem falhas na colocação do cateter e no atendimento prestado. A maior parte dos danos foi identificada por alterações no estado dos pacientes ou por alertas nas máquinas de hemodiálise. Em mais de 2 mil casos, o profissional de saúde identificou e notificou o erro.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde e aguarda retorno.
