Água Potável Transformando a Vida em Zanzibar
Em Chaani, uma vila na Ilha de Unguja, em Zanzibar, os moradores experimentam uma nova realidade: o acesso a água potável. Durante anos, a comunidade lutou contra a insegurança hídrica, dependente de rios que frequentemente traziam doenças. Essa situação começou a melhorar em 2025, graças a um projeto que visa combater a esquistossomose, uma doença que há muito afeta a região.
Haji Makame Omari, um pai de 53 anos, refletiu sobre as dificuldades do passado. “Antes, buscávamos água nos rios e acabávamos pegando esquistossomose. Agora, temos água limpa e segura em casa”, afirmou. Esse projeto é resultado de uma colaboração entre a China, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo de Zanzibar. A iniciativa combina abastecimento de água, tratamento da doença e campanhas de educação em saúde.
A esquistossomose é uma doença transmitida por água contaminada, que afetava principalmente áreas rurais. Mwanaisha Abdallah, uma mãe de 30 anos da vila, também sentiu o impacto. “Antes, buscar água era cansativo e difícil. Agora, é muito mais fácil. Posso cuidar do meu jardim e da minha família com mais tranquilidade”, contou.
A parceria para combater a esquistossomose começou em 2014, após o governo de Zanzibar procurar ajuda internacional. Em 2016, foi assinado um memorando entre as partes para oficializar o projeto. Na primeira fase, realizada entre 2017 e 2020 na Ilha de Pemba, as taxas de infecção caíram drasticamente, de 8,92% para 0,64%. A segunda fase, que começou em 2023, está expandindo os benefícios para a Ilha de Unguja.
Os resultados até o momento são encorajadores. A taxa de infecção em Unguja caiu de 1,23% para 0,15%. A construção de sistemas de abastecimento de água potável está beneficiando cerca de 30.000 pessoas. Na Ilha de Unguja, 18.000 moradores agora têm acesso a água limpa, o que interrompe a transmissão de doenças na fonte e reduz outras enfermidades, como cólera e infecções intestinais.
Rashid Kassim Juma, coordenador do projeto no Ministério da Água, destacou a importância da ajuda recebida. “Antes, as pessoas dependiam de fontes inseguras. Agora, todos têm acesso a água potável, o que é uma grande conquista”, declarou.
Além de oferecer água, o projeto se preocupa com a sustentabilidade. Voluntários foram treinados, e a educação em saúde foi integrada nas escolas. Um sistema digital para monitorar casos de esquistossomose está previsto para ser lançado em janeiro de 2026, permitindo respostas rápidas e eficazes ao surgimento de novas infecções.
Na vila de Chaani, a mudança já é visível. Pequenas hortas e o movimento em torno das torneiras públicas mostram o impacto positivo da nova fonte de água. “Estamos muito gratos por essa melhoria em nossas vidas”, concluiu Omari. “Esta água mudou nossa saúde e nossa forma de viver.”