quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
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Cenário incerto na Venezuela preocupa governo Lula em novo ultimato dos EUA

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[email protected] EM 4 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 16:23

Situação na Venezuela: Brasil Reconhece Delcy Rodríguez como Líder

O governo brasileiro anunciou que reconhece a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, como a atual líder do país, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último sábado (3). A informação foi confirmada por Laura da Rocha, Secretária-Geral das Relações Exteriores, após uma reunião no Itamaraty com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros membros do governo.

Lula, que estava no Rio de Janeiro, participou da reunião de forma virtual e criticou a ação militar norte-americana contra Maduro. Nos bastidores, o governo brasileiro busca entender melhor a nova configuração de poder na Venezuela e informa que Delcy Rodríguez está em negociações com Washington. A continuidade dela no poder dependeria de acordos estabelecidos com os Estados Unidos, segundo fontes que acompanham a situação.

A complexidade das negociações é alta, pois, segundo informações, os EUA teriam proposto exigências consideradas inaceitáveis para o governo venezuelano. Diplomatas brasileiros observam que existe incerteza sobre o futuro da Venezuela sem Maduro, apesar das declarações oficiais.

Durante uma entrevista, Donald Trump afirmou que os EUA assumiriam o controle do país e da sua rica indústria petrolífera, uma das maiores reservas do mundo. Ele mencionou que Rodríguez estaria disposta a seguir as diretrizes dos EUA. No entanto, pouco depois, em uma transmissão ao vivo pela conta de Maduro, Delcy Rodríguez contestou a queda do presidente, reafirmando que ele é o “único presidente” e prometeu proteger a nação e seus recursos naturais.

Na mesma linha, Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, frisou que a administração americana tomará decisões nos próximos dias com base nas ações do governo venezuelano, oferecendo “oportunidades históricas” para os funcionários do governo de Maduro.

Nas últimas semanas, o governo brasileiro considerava que Maduro estava cada vez mais isolado no cenário internacional e não contava com uma intervenção eficaz da China ou da Rússia, especialmente diante de suas prioridades próprias, como a guerra na Ucrânia e questões territoriais com Taiwan.

Interlocutores de Lula expressam preocupações sobre o período pós-Maduro na Venezuela, temendo desordens internas, disputas entre forças armadas ou milícias, que poderiam resultar em um cenário semelhante ao observado em outros países como Iraque e Líbia após a queda de seus líderes. Esse tipo de instabilidade poderia afetar a fronteira do Brasil com a Venezuela, aumentando o fluxo de imigrantes.

Laura da Rocha também informou que o Brasil participará de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira, onde a questão da ação militar dos EUA será discutida. Apesar de poder se manifestar, o Brasil não terá direito a voto nesse conselho.

De acordo com a Secretária, a fronteira brasileira com a Venezuela permanece tranquila, com pouco movimento desde a captura de Maduro. Aproximadamente 100 turistas brasileiros que estavam na Venezuela já retornaram ao país. O ministro da Defesa, José Múcio, confirmou que a situação da fronteira está calmo, descrevendo-a como um “grande feriado”, sem restrições para a passagem de brasileiros.

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