No último fim de semana, os Estados Unidos realizaram uma operação para remover Nicolás Maduro da presidência da Venezuela, um ato que mostra um novo nível de intervenção militar na América Latina. Essa ação revela que a disputa entre EUA e China se intensificou, saindo do campo econômico para envolver recursos estratégicos, como o petróleo.
A China tem adotado uma abordagem econômica cuidadosa na América Latina, oferecendo crédito e investimentos em diversas áreas, como infraestrutura e energia. Com isso, a Venezuela se tornou fortemente dependente do apoio chinês, especialmente após anos de crises econômicas e sanções. Essa dependência possibilitou à China acesso privilegiado ao vasto petróleo venezuelano, algo que em outras circunstâncias exigiria extensas negociações.
Entretanto, a recente ação militar dos EUA em Caracas mostra que essa aparente vantagem estava baseada em suposições erradas. A ideia de que a competição entre as potências se limitaria ao econômico e que os Estados Unidos não usariam a força fora da Asia provou-se equivocada. Com a radicalização da ação americana, ficou claro que o controle do petróleo venezuelano é um ponto de interesse significativo para os EUA.
Após a operação e declarações de funcionários americanos, um especialista em economia, Francisco Urdinez, ofereceu uma perspectiva sobre essa transformação nas relações de poder. Ele argumenta que mudanças econômicas que cruzam limites estratégicos, como no caso da Venezuela, levarão os EUA a aumentar a pressão sobre governos locais e a China, diminuindo a autonomia das nações latino-americanas.
Esse resgate militar de Maduro representa uma demonstração de força significativa por parte dos EUA, que revela sua fragilidade ao depender cada vez mais da coerção militar, enquanto a China continua a expandir sua influência por meio de investimentos e financiamentos. A presença econômica da China na região não será eliminada, mas a dinâmica da competição entre as duas potências se tornará mais instável e difícil de gerenciar.
O resultado é uma disputa desigual: a China avança com suas estratégias financeiras e comerciais, enquanto os Estados Unidos assumem o papel de poder militar em cenários que envolvem recursos estratégicos.