18/01/2026
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UE busca no Mercosul alternativa à dependência de China e EUA

Acordo entre União Europeia e Mercosul: Desafios e Oportunidades no Comércio Internacional

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que visa o fortalecimento das trocas comerciais entre os 27 países da UE e os membros do bloco sul-americano (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), foi assinado após 25 anos de negociações. Esta nova parceria não é apenas um tratado comercial, mas também uma estratégia para aumentar a resiliência econômica e geopolítica, especialmente em um mundo marcado por tensões comerciais e inseguranças em relação a suprimentos.

O pacto representa uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo. Embora os impactos imediatos no Produto Interno Bruto (PIB) da UE sejam considerados limitados, a proposta amplia o acesso a mercados para produtos industriais europeus e fortalece cadeias de suprimento em um momento em que a economia global enfrenta fragmentação. Para os líderes europeus, o objetivo é garantir autonomia na produção e suprimentos diante de crises externas.

Uma das prioridades para a UE é o acesso facilitado a recursos minerais do Brasil. O país é um dos maiores produtores globais de alumínio, grafite, tântalo e possui o monopólio mundial do nióbio, material essencial para a siderurgia e tecnologias avançadas. A UE busca reduzir a dependência da China em relação a esses minerais, especialmente após eventos recentes, como a guerra na Ucrânia, que acentuaram as tensões comerciais entre grandes potências.

No setor automobilístico, a indústria alemã se destaca como uma das principais beneficiadas pelo acordo, buscando novos mercados para compensar a queda na demanda chinesa e as tarifas impostas pelos Estados Unidos. No entanto, a negociação enfrenta uma forte resistência interna, especialmente de agricultores e ambientalistas que temem uma concorrência desleal e possíveis impactos negativos ao meio ambiente, como o desmatamento na Amazônia.

A França, em particular, liderou a oposição ao pacto devido a protestos de seus agricultores. Outros países, como Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria, também expressaram preocupações. Apesar disso, o acordo foi adiante graças às regras de maioria qualificada da UE, permitindo decisões mesmo sem consenso total. Essa situação destaca a capacidade do bloco em agir, mas também indica que novas disputas políticas poderão surgir.

Analistas acreditam que este tratado representa uma mudança significativa na ordem econômica global. A UE está acelerando negociações com outros parceiros, como a Índia e a Indonésia, ao mesmo tempo em que países sul-americanos ganham mais importância estratégica. Esse movimento reflete um mundo cada vez mais fragmentado, onde novas alianças comerciais estão redesenhando o equilíbrio de poder global.