Ataque a Edifício na Venezuela Deixa Mortos e Feridos
Na madrugada do dia 3 de janeiro, um míssil atingiu um apartamento em Catia La Mar, na Venezuela, resultando em mortes e feridos entre os moradores. O impacto ocorreu por volta das 2h da manhã e foi tão forte que lançou Wilman González contra a parede. “Senti que havia morrido”, relatou o homem de 54 anos, que se levantou com uma lasca de madeira cravada no rosto.
Wilman morava no Bloco 12, um edifício antigo próximo a uma importante base militar. O ataque, realizado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, tinha como alvo principal instalações militares e de comunicação, mas o Bloco 12 se tornou um dos edifícios civis afetados. O ataque resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, que agora enfrenta acusações de narcoterrorismo nos Estados Unidos.
González ainda está em estado de choque com o que aconteceu. Sua tia Rosa, de 79 anos, que dormia em um quarto ao lado, não sobreviveu. Ele contou que a máquina de lavar roupa, que estava em cima dela, caiu no impacto. Apesar de seus esforços para socorrê-la, Rosa não conseguiu resistir e foi levada a um hospital, onde foi declarada morta.
Os estragos no Bloco 12 foram devastadores. Com a estrutura comprometida e parte do prédio reduzida a escombros, o local se tornou um símbolo da tragédia. Dois dias após o ataque, familiares e amigos se reuniram em uma capela para o velório de Rosa, que teve o caixão semiaberto para que as pessoas pudessem se despedir.
“Veja como ficou… Não é justo”, lamentou Wilman, olhando para os restos do que um dia foi seu lar. A maioria dos destroços do míssil ficou no quarto da sua tia. Ele lembra que as autoridades retiraram os restos do projétil, mas o trauma da experiência ainda persiste. “Estamos assustados, nunca estivemos em uma guerra”, disse, expressando o desejo de paz.
Outro morador, Jorge Cardona, de 70 anos, também sobreviveu ao ataque. Ele estava na sala quando o míssil atingiu o prédio. “Escutei a explosão e tudo saiu voando”, contou. Cardona foi arremessado para um corredor e precisou se recuperar entre os escombros antes de verificar se seus vizinhos estavam bem.
Jesús Linares, um coronel dos bombeiros, estava dormindo com sua filha quando ouviu o barulho ensurdecedor. Ele inicialmente pensou que poderia ser um ataque com fogos de artifício. Quando o impacto aconteceu, ele gritou para sua filha se jogar ao chão e rapidamente tentando reunir roupas para a família. Ele ajudou uma vizinha ferida, improvisando um curativo com um lençol.
Atualmente, os moradores do Bloco 12 buscam apoio para a reconstrução. Wilman, Jorge e Jesús estão alojados na casa de parentes, mas todos anseiam por um retorno à normalidade. Linares revela que o trauma é profundo; ele acorda todos os dias no mesmo horário em que o míssil atingiu seu prédio, revivendo os momentos de terror.
O ataque repercute não apenas pela destruição, mas também pela perda de vidas e pelo impacto emocional em uma comunidade que nunca imaginou vivenciar uma situação como essa. Com a situação de incerteza e os resquícios de um dia fatídico, os moradores esperam reconstruir suas vidas e retomar a rotina, apesar das sequelas deixadas por essa tragédia.